sábado, 22 de maio de 2010

PROFESSOR

     Descaso dos poderes com a carreira

João Evilázio Gomes

      O minguado provento do professor é inferior ao de muitas funções em que se exige apenas saber ler e escrever. Na escala de importância das carreiras, ela deveria ser a primeira, pois todos passam pelo caminho dos ensinamentos de um mestre. Porém, para os governantes, a carreira de professor é medíocre. E, as lutas da classe para conseguir o mínimo de seus direitos sagrados têm se transformado em angústia. Agora, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) considera a greve ilegal, determina sua suspensão imediata, multa sindicato em R$30 mil a cada dia de paralisação, bloqueia a conta da instituição e Estado ordena corte do ponto. E a própria Justiça, já desacreditada pela população, autoriza, ainda, o que é proibido por lei: substituir professores grevistas. Os mestres estão encurralados. Mais uma vez, o mínimo de esperança vai pelos ares. Na história das greves dos educadores, manifestações pacíficas quase sempre foram reprimidas pela Polícia fortemente armada.
      Mas, em 2003, numa conduta ilegal, imoral, antiética e altamente desrespeitosa ao povo, triste exemplo de afronta e insulto à Nação, sem pensar no conjunto dela, juízes ameaçaram entrar em greve, fechar fóruns, impedir a entrada de advogados e funcionários, e pensaram até em arruinar o Brasil para garantir vantagens e privilégios próprios.
      Aliás, os doutores de toga já ganhavam bem, tinham tantos benefícios, não cediam nada e ainda queriam mais, numa época em que milhões de brasileiros viviam abaixo da linha da pobreza, e o governo teve até de decretar “guerra à fome”. Como os magistrados poderiam dar essa demonstração de desrespeito às leis, ousando paralisar as atividades do Judiciário? Se eles podem fazer greve, outras categorias profissionais também podem. E, os professores, por razões fortíssimas e incontestáveis, podem muito mais.
 www.redatorjoaoevilazio.blogspot.com 

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