quarta-feira, 29 de setembro de 2010

VERDADES SOBRE A CIDADE DOS LOUCOS E DAS ROSAS

Apostila zombava de Barbacena

João Evilázio Gomes

      Barbacena é também conhecida como “cidade dos doidos”. O nome relembra o Hospital Colônia, de triste memória, no qual o trem de doidos despejava, como gado, doentes mentais procedentes de todo o país. O termo é tocante. E ganhou ainda mais repercussão com o Festival da Loucura, criado pelo prefeito anterior. Agora, lamentavelmente, a cidade é alvo de outras chacotas, numa apostila da Gráfica Universal, de Rio Claro (SP). Ela traz matérias preparatórias para um concurso público no município. Curiosamente, a parte de conhecimentos gerais sobre Barbacena é recheada de duras críticas à cidade, com forte tom de zombaria que respinga, inclusive, em administrações passadas. Os argumentos não combinam com os objetivos de publicações do gênero. Alguns vocábulos têm sentido inconveniente e desagradável. Em outras palavras, subentende-se que, desde sua fundação, a cidade não passa de curral eleitoral, não conseguindo se livrar do domínio político de duas famílias de coroneis. Por isso, a cidade não se desenvolveu. O desabafo no texto lembra o enorme e humilhante descaso dos atuais políticos com a cidade. Mesmo os que dizem ser da região, mas que não vivem aqui. Eufóricos, só aparecem para pedir votos; aprontam um berreiro nos palanques e desaparecem.
      Ironias e deboches a parte, admita-se que grande parte do que consta na referida apostila é real. Após a venda de alguns exemplares, a circulação do material foi proibida.
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terça-feira, 14 de setembro de 2010

PICHAÇÕES

João Evilázio Gomes

      Belo Horizonte declarou guerra aos pichadores. No mês passado, uma quadrilha foi presa. O Ministério Público Estadual (MPE) fechou o cerco aos malfeitores e quer que a Justiça cobre deles multa pesada. Inclusive, breve, será instalada na capital a delegacia especializada para combater o pichador. O vandalismo ocorre também no interior. Em Barbacena, por exemplo, a selvageria é vergonhosa e revoltante. Determinados locais estão imundos. Além de emporcalhar a cidade, alguns traçados das pichações parecem indicar o caminho que leva aos pontos de encontro de elementos desocupados e perigosos. As principais ruas próximas ao Centro são as mais infestadas e visadas pelos criminosos. Porém, há uma preguiça visível e contagiante dos órgãos públicos locais e da população em combater as gangues. Enquanto isso, os porcos vão transformando residências e prédios públicos em verdadeiros chiqueiros. Esses indivíduos têm minhoca na cabeça? Mas os moradores podem colaborar, apagando a sujeira imediatamente. Assim, os infratores não voltam. Câmeras de segurança e denúncias podem, também, ajudar a frear o comportamento dos vândalos.
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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

BARBACENA

A Ficha Limpa Dos Políticos Que Mamam 

João Evilázio Gomes                                                                                                  

      Barbacena, qualificada por uma referência chocante e dolorosa, "cidade dos doidos", e humilhada por seus próprios políticos, não consegue dar mais nem um passo importante em direção ao futuro. O que alguém diz ter feito até agora é o mínimo do básico para uma região tão carente. A prefeita, sem convicções para o cargo, não foi capaz de contornar a grave crise deixada pelo seu primo, irmão do Vice-Presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), órgão que vive sempre na mira da polícia e da Justiça. O que é ainda mais estranho nessa triste história é que as contas da profunda crise foram todas aprovadas pelo TCE. A cidade não descobre seu caminho. Berço de políticos de projeção, mas a maioria tem a corrupção no DNA. Agora, outro absurdo chama a atenção: na Câmara Municipal, ironicamente apelidada de “Gaiola das Loucas”, os trabalhos estão a passos de cágado, quase parando. São apenas duas reuniões semanais que, às vezes, duram somente alguns minutos, além de duas férias anuais e outros longos recessos. Pior: alguns representantes, preguiçosos e chupetas, parecem brincar de vereadores, descaradamente. Dependurados nas tetas dos cofres públicos, simplesmente mamam, quase não trabalham, mas  recebem os vencimentos sem descontos, provavelmente. Dizem que cada um é ainda paparicado, diretamente, por nove assessores, número excessivo para o porte da cidade. Inadmissível, também, a constante e proposital falta de quorum, provocada por determinados parlamentares traidores, covardes, irresponsáveis. Um papelão. Mas é a ética deles. A vergonhosa prática, que está se tornando crônica, atrasa o andamento de projetos importantes, deixando o município jogado à própria sorte. Essa é a ficha limpa desses políticos?  O povo precisa reagir, proferindo nova sentença severa nas urnas. Enquanto isso, num efeito cascata, o alto salário dessa gente, gordos adicionais e penduricalhos questionáveis garantem seus bolsos bem cheios ao final do mês. Portanto, nenhuma preocupação dos marajás.
      E mais: acostumados a não serem incomodados, os espertalhões, que não cumprem nem com as obrigações de vereador e já querem ser deputados e senadores, acham que são imunes a tudo, se sentem coroneis poderosos e intocáveis e, apesar de indiferentes às queixas, podem não receber bem as críticas.
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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

NOVO CHAMADO ÀS ELEIÇÕES

João Evilázio Gomes

      A Lei Ficha Limpa deu o primeiro passo, endurecendo contra aqueles que não vivem sem corrupção. Mas o assunto ainda vai gerar muita gritaria dentro e fora das agremiações partidárias. Aliás, os partidos, que deveriam ser os primeiros a filtrar os candidatos, costumam ser verdadeiras escolas de corrupção. Amparados por um repertório de brechas e lacunas legais, muitos políticos de extenso currículo sujo são malabaristas, conseguem limpar o nome, honrar a candidatura e até perpetuar-se no poder. Mas permanecem imundos. Outros, ainda com graves pendências com a Justiça, arrastam pesados processos. Enquanto não forem julgados, se escondem sob o manto da camuflagem do “nada consta”.
      Portanto, o eleitor que entender este novo chamado, precisa ter olho vivo, fazer uma reflexão, analisar cada nome e tentar acertar o voto numa ficha limpa de verdade.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

A JUSTIÇA É UMA LOTERIA?

João Evilázio Gomes

      O palavrório excessivo do advogado Ércio Quaresma (defensor do goleiro Bruno e sua turma, acusados de crime bárbaro) fere profundamente a ética. Ao contrário de  profissionais de argumentos grandiosos, seus insistentes ataques parecem só ter o objetivo  de criar intensa polêmica, do que uma defesa propriamente dita, não merecendo tanto espaço na mídia. Simplesmente chama as autoridades de bando, quinteto maligno, usa facilmente a expressão “eu mato” e outros absurdos, num total desrespeito às pessoas.  Inadmissíveis, também, os termos creis contra a vítima Eliza Samudio.  Recentemente,  num canal de TV, depois da grande abundância de palavras, mas com poucas ideias, Quaresma, num momento, chegou ao ponto de fechar o microfone para cochichar em frente às câmeras. Em seguida, a apresentadora pergunta: Ele disse isso? Imagine a verborragia naquele instante! E, ao apelidar de Neandertal o delegado Edson Moreira, a provocação explode pela culatra. O nome era uma espécie de homo neanderthalensis, que viveu na Europa e na Ásia e desapareceu há 30 mil anos. Segundo os cientistas, genoma da espécie indica que ela cruzou com humanos. Parte da população atual tem DNA de Neandertal, diz estudos. Logo, provavelmente, o autor do apelido, também. 
      Enquanto isso, sob o amparo de um verdadeiro “Código de Brechas e Lacunas Penais”, Pimenta da Veiga e o bonachão Misael Bispo e seu comparsa permanecem soltos, sorridentes, num claro deboche à Justiça. Essa regra de liberdade significa impunidade. Ou a justiça é uma loteria? Existem muitos outros casos chocantes, mas sem  envolvimento de celebridades. Por isso, nenhuma repercussão.
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sexta-feira, 30 de julho de 2010

CASO BRUNO

João Evilázio Gomes

      Os horrores do conturbado caso Bruno causam arrepios e revolta, parecem coisas de cinema e ganham repercussão internacional. Lamentavelmente, descambam para um espetáculo e poderão, mais tarde, se transformar em livros e filme, realmente. Os fatos tristes, chocantes e dolorosos se resumem em uma quadrilha maldita, calculista, fria, artista do crime e, fama, dinheiro, sexo, drogas, outras aventuras, uma jovem chamada Eliza Samudio, desaparecida (possivelmente morta, mas, ironicamente, arrolada como testemunha da defesa), uma criança órfã à espera de um lar definitivo, famílias dilaceradas, deboche e ameaças às autoridades, minuciosa investigação policial, prisões, batalha nos tribunais e, breve, condenações, provavelmente. Crimes: formação de quadrilha, sequestro, cárcere privado, corrupção de menores, homicídio, ocultação de cadáver. A sociedade exige uma resposta. 
      Apesar dos pesares, a polícia fechou o cerco e cumpriu seu papel. Agora, é a vez da Justiça. Outros nomes podem vir à tona. Mas é notória uma espécie de maquiavelismo da defesa: “Os fins justificam os meios”. Inclusive, até a imprensa entrou numa fria, deixando se levar pela falsa notícia de que a loira fotografada num shopping do Rio seria Eliza Samudio. Um cúmulo. A moça se apresentou à polícia, se identificou como Jeizi Fernandes, desmascarando a defesa barulhenta e pobre em argumentos jurídicos. Aliás, é evidente que uma das estratégias da defesa é tumultuar, confundir e ganhar tempo. O primeiro mandamento é: minta, não admita. Essa é a ética.
      Para o sorriso dos reus (que podem pagar poderosos advogados que sobrevivem com as falhas e lacunas da lei), grande parte de nossa emaranhada legislação penal é uma bela “colcha de retalhos”, que se traduz num volumoso “código de brechas imorais”, que permitem aos verdadeiros criminosos omitir, fugir, calar, mentir e outros absurdos, para escapar das penas. Essa legislação precisa ser revista, já. Inclusive a prescrição de certos crimes. Mas cadê Eliza Samudio? Partes de outros corpos encontrados nas buscas significam que mais Elizas são assassinadas. Sendo miseráveis e não envolvendo celebridades, não há publicidade. 
                                                                      
                                                              
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