quarta-feira, 21 de abril de 2010

PERIGO NA RODOVIA

João Evilázio Gomes

      Os órgãos competentes precisam cuidar melhor da rodovia que liga Paiva à Oliveira Fortes, localizadas na zona da Mata. O trecho já não oferece perfeitas condições para o movimento de veículos, que vem aumentando, gradativamente, nos últimos tempos. O serviço de manutenção da rodovia, às vezes, deixa muito a desejar. E, as fortes chuvas que caíram na região danificaram a estrada, aumentando ainda mais o perigo. Parte do asfalto cedeu em alguns pontos, inclusive numa curva, deixando o trânsito em meia pista. Preocupados, os motoristas reclamam. Outros pequenos cuidados que caíram no esquecimento deveriam ser observados, para evitar uma fatalidade.
      Os municípios se destacam, tradicionalmente, na agricultura e pecuária. E, a principal via de acesso não pode transformar-se em problemas para a população. Portanto, merece mais atenção das autoridades.

PREFEITURA DE BARBACENA

Supostas Irregularidades Precisam Ser Investigadas

João Evilázio Gomes

      Recentemente, foram descobertos 164 mil servidores públicos da União e de 13 estados com algum tipo de irregularidade na ocupação dos cargos. Há suspeitas antigas de que na prefeitura de Barbacena existem acúmulos ilegais (inclusive com aposentadoria), sempre protegidos por interesses políticos. É preciso um levantamento em cada setor municipal, para verificar se há necessidade de uma varredura. Não basta examinar registros funcionais. Eles podem conter erros e mentiras. É necessário cruzar dados. A Constituição Federal veda a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários: a de dois cargos de professor; um de professor com outro técnico ou científico; dois privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas; juízes, promotores e procuradores podem acumular com um de magistério. Segundo um promotor, acúmulo indevido configura crime de improbidade administrativa. Além da restituição dos salários, a punição atinge também a perda do cargo, pagamento de multa e inelegibilidade para cargos eletivos.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

GUIAS, CARTILHAS E MANUAIS PARA O CONTROLE DA CORRUPÇÃO

- Convenciones Anticorrupción em América: Lo que la sociedad civil puede hacer para que funcionen, preparada pela Transparency International.
- Cartilha de Fiscalização Financeira e Controle, preparada pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados.
- Cartilha Olho Vivo, Manual de orientação para o monitoramento da gestão municipal, preparado pela Controladoria-Geral da união.
- Metodologia para pequenas pesquisas. Pesquisas de opinião e de experiência são instrumentos fundamentais para ajudar a combater a corrupção.
- O combate à corrupção nas prefeituras do Brasil, Antoninho Marmo Trevisan e outros. Publicado sob os auspícios da Amarribo e coordenado e editado pela TBrasil. Ateliê Editorial.
- Ética e corrupción: El dilema del nuevo milenio. Rodolfo Arlán, Fundación Estado y Sociedad (Argentina).
- Manual de conscientização eleitoral, preparado pela TBrasil no âmbito de convênio com a Philips do Brasil.
- Caminhos da transparência, um retrato das instituições brasileiras, de suas vulnerabilidades e de como se pode agir para combater a corrupção (TBrasil).
- Acompanhamento do Legislativo (Domingos Taufner e Helder Salomão).
- Cartilha de Educação para a Cidadania (Escola do Legislativo da Assembleia Legislativa do Estado de Minas).
- Cartilha de aplicação da Lei 9840 (CNBB).
- Responsabilidade Social das Empresas no Processo Eleitoral (Instituto Ethos).


Fonte: Transparência Brasil

sexta-feira, 2 de abril de 2010

POLUIÇÃO EM BARBACENA


        Gás mortífero, silencioso e invisível pode estar no ar que respiramos

João Evilázio Gomes

      Esperamos que o Conselho Municipal de Saúde de Barbacena, a comunidade médica, a Pastoral da Saúde, o Executivo, o Legislativo, a OAB, igrejas e escolas passem a debater, com afinco, antigos problemas de poluição da cidade, para que a população acorde para o tema. A situação piora. Há o problema do mau cheiro causado por uma empresa instalada no município. Um forte cheiro, podre e insuportável é sentido muitas vezes por semana, em vários pontos da cidade, principalmente no Centro. Ele penetra nas residências e se aloja nos pulmões. Tememos que o poluente seja venenoso e possa aumentar o índice de câncer e outros graves problemas de saúde, que já não são poucos na região. Mas, até agora, nenhuma atitude urgente foi tomada pelos órgãos competentes. Enquanto isso, um gás mortífero, silencioso e invisível pode estar no ar de nossa cidade.

HOMENAGEM ÀS MÃES

João Evilázio Gomes

      O texto seguinte é uma pérola antiga. Mas vale a pena ler, sempre. É um dos mais belos e autênticos escritos sobre a imensidão do amor de mãe, conforme os argumentos grandiosos constantes no registro. A descrição merece ser exibida durante as diversas atividades em homenagem às mães, e afixada, para leitura diária, em murais escolares, locais de trabalho e lugares de uso coletivo. A tradução do original é de Dom Ramón Jará, que foi bispo e orador chileno. Mas desconhecemos o autor propriamente dito.

O Texto:

                                      RETRATO DE MÃE

      “Uma mulher existe que, pela imensidão de seu amor, tem um pouco de Deus, e muito de anjo pela incansável solicitude dos cuidados seus; uma mulher que, ainda jovem, tem a tranquila sabedoria de uma anciã e, na velhice, o admirável vigor de juventude; se de pouca instrução, desvenda com intuição inexplicável os segredos da vida e, se muito instruída, age com simplicidade de menina; uma mulher que, sendo pobre, tem como recompensa a felicidade dos que ama, e quando rica, todos os seus tesouros daria para não sofrer no coração a dor da ingratidão; sendo frágil, consegue reagir com a bravura de um leão; uma mulher que, enquanto viva, não lhe damos o devido valor, porque ao seu lado todas as dores são esquecidas; entretanto, quando morta, daríamos tudo o que somos e tudo o que temos para vê-la de novo, ao menos por um só momento, receber dela um só abraço, e ouvir de seus lábios uma só palavra.
      Dessa mulher, não me exijas o nome, se não quiseres que turve de lágrimas esta lembrança, porque... já a vi passar em meu caminho.
      Quando teus filhos já estiverem crescidos, lê para eles estas palavras. E, enquanto eles cobrem a tua face de beijos, conta-lhes que um humilde peregrino, em paga da hospedagem recebida, deixou aqui, para todos, o esboço do retrato de sua própria mãe”.  

terça-feira, 16 de março de 2010

MAGISTRADOS RECEBEM PRÊMIO COMO PUNIÇÃO

João Evilázio Gomes

      Apesar do bom trabalho do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), as normas referentes às duras penas contra magistrados fichas sujas precisam ser mudadas, já. Elas significam uma espécie de premiação aos criminosos. Recentemente, o Conselho afastou, definitivamente, juízes e desembargadores, mas com direito a vencimentos. Crimes praticados: venda de sentenças, corrupção, parcialidade, tráfico de influência, quebra de decoro, falta de ética, desvio de recursos (inclusive para beneficiar determinada loja maçônica, da qual um desembargador era grão-mestre), entre outros delitos. Pena máxima, para alegria dos condenados: aposentadoria obrigatória. Realmente, quem não quer essa punição?

segunda-feira, 15 de março de 2010

COLÔNIA RODRIGO SILVA

                              Moradores de Vilarejo Pedem Socorro

João Evilázio Gomes

      Em Barbacena, desde a administração passada, moradores de um pobre vilarejo da parte baixa da Aldeia Santa Fé, no Distrito Colônia Rodrigo Silva, vivem situação dramática. O aumento de construções de alto padrão na parte alta da aldeia, aterros e entupimento de valetas de enxurradas para construção de muros ao redor das chácaras fazem com que, durante as chuvas, grande volume de água desça pela única rua, de terra, que dá acesso às residências mais simples, formando enormes buracos no caminho, deixando-o completamente intransitável, inclusive para atendimento de uma eventual emergência, e pondo em risco as casas menos resistentes. A comunidade está isolada. E sem recurso próprio para construção de bueiros, canalização etc. Precisa do apoio da prefeitura. Mas a localidade não é colégio eleitoral forte. Isso, talvez,  lamentavelmente, justifique o total desinteresse da administração do distrito, da Secretaria de Obras e mesmo dos vereadores.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

PRECIOSA LIÇÃO PARA O MUNDO

João Evilázio Gomes
      O texto seguinte, do senador Cristovam Buarque, não é recente. Foi publicado há 8 anos em alguns poucos jornais. Há algum tempo, circula na internet. É uma preciosa lição para o mundo. Pela sua relevância, é bom ser relembrado, sempre. E deveria ser comentado nas escolas do mundo inteiro, em todos os níveis. Mas só discurso não resolve. Com base nos argumentos, é preciso elaborar propostas firmes que apontem caminhos para desenvolver ações concretas até final da melhor solução desta polêmica internacional.

O Texto:

CRISTOVAM: INTERNACIONALIZAÇÃO DO MUNDO

“Fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia, durante um debate, nos Estados Unidos. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha. De fato, como brasileiro, eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia.
Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia é para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da humanidade.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.
Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, possa ser manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada.
Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa”.

Depois dessas palavras incontestáveis, nada mais a dizer.
O que você acha do texto?



sábado, 20 de fevereiro de 2010

CHEIRO DO PRODUTO VIRA ANÚNCIO COMERCIAL

João Evilázio Gomes

      A revista “Imprensa”, edição 91, abril 1995, publicou excelente artigo do jornalista Armando Nogueira. O texto, verdadeira pérola de redação, que deveria ser comentada em todos os níveis escolares, revela a história de um feirante, escrita por John Ruskin, em que o corte de palavras de um anúncio comercial é substituído pelo cheiro da mercadoria. O resultado, um sucesso de vendas. Quatorze anos depois, atendendo interesse de leitores, o texto foi republicado na edição 253, página 54, janeiro/fevereiro 2010. Por ser de grande importância, o transcrevemos na íntegra:

             ESCREVER É A ARTE DE CORTAR PALAVRAS

     DE QUE MESTRE DAS LETRAS TERIA PARTIDO ESSA PRECIOSA LIÇÃO?

                                                           Armando Nogueira

      Escrever é cortar palavras. Passei alguns anos certo de que o autor dessa preciosa máxima era Carlos Drummond de Andrade. Até que um dia perguntei ao poeta. Ele conhecia, mas negou que fosse dele. Confesso que fiquei desapontado. A sentença tinha a cara do mestre Drummond, cuja prosa é um exemplo de concisão.
      Otto Lara Resende desconfiava que pudesse ser de um escritor mexicano a ideia da dica preciosa. Eu, por mim, seria capaz de atribuí-la a John Ruskin, notável crítico inglês do século passado. Se não o disse, com todas as letras, certamente foi Ruskin quem melhor ilustrou o adágio, num conto antológico. É o caso de um feirante de peixes num porto britânico.
      O homem chega à feira e Lá encontra seu compadre, arrumando os peixes num imenso tabuleiro de madeira. Cumprimentam-se. O feirante está contente com o sucesso do seu modesto comércio. Entrou no negócio há poucos meses e já pôde até comprar um quadro-negro pra badalar seu produto.
      Atrás do balcão, num quadro-negro, está a mensagem, escrita a giz, em letras caprichadas: HOJE VENDO PEIXE FRESCO. Pergunta, então, ao amigo e compadre:
      - Você acrescentaria mais alguma coisa?
      O compadre releu o anúncio. Discreto, elogiou a caligrafia. Como o outro insistisse, resolveu questionar. Perguntou ao feirante:
      - Você já notou que todo dia é sempre hoje?
      - E acrescentou: - Acho dispensável. Esta palavra está sobrando...
      - O feirante aceitou a ponderação: apagou o advérbio. O anúncio ficou mais enxuto. VENDO PEIXE FRESCO.
      - Se o amigo me permite – tornou o visitante -, gostaria de saber se aqui nessa feira existe alguém dando peixe de graça? Que eu saiba, estamos numa feira. E feira é sinônimo de venda. Acho desnecessário o verbo. Se a banca fosse minha, sinceramente, eu apagaria o verbo.
      O anúncio encurtou mais ainda: PEIXE FRESCO.
      - Me diga uma coisa: Por que apregoar que o peixe é fresco? O que traz o freguês a uma feira, no cais do porto, é a certeza de que todo peixe, aqui, é fresco. Não há no mundo uma feira livre que venda peixe congelado...
     E lá se foi também o adjetivo. Ficou o anúncio, reduzido a uma singela palavra: PEIXE.
      Mas, por pouco tempo. O compadre pondera que não deixa de ser menosprezo à inteligência da clientela anunciar, em letras garrafais, que o produto aí exposto é peixe. Afinal, está na cara. Até mesmo um cego percebe, pelo cheiro, que o assunto, aqui, é pescado...
      O substantivo foi apagado. O anúncio sumiu. O quadro-negro também. O feirante vendeu tudo. Não sobrou nem a sardinha do gato. E ainda aprendeu uma preciosa lição: escrever é cortar palavras.
            
     

       

    
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